Jornal da Universidade Federal do Pará. Ano XXX Nº 130. Abril e Maio de 2016

Novos recursos de comunicação

Os recursos de baixo custo são utilizados pelos
terapeutas e pelos responsáveis pelo paciente. 

por Marcus Passos / Fevereiro e Março 2014
fotos Alexandre Moraes


Ao longo do seu desenvolvimento, o ser humano criou várias formas de se comunicar e de interagir com seu meio social. Entre elas, estão as possibilidades de comunicação oral, escrita e gestual. A perda ou o não desenvolvimento de uma dessas habilidades acarreta ao indivíduo, criança ou adulto, sérios problemas de convivência e de inserção em ambientes sociais.

Atualmente, estima-se que 1.3% da população apresente alguma dificuldade de comunicação oral. E uma das medidas que atenuam essas dificuldades são os recursos e as estratégias criados pela Comunicação Alternativa e Ampliada (CAA). O projeto de extensão “Comunicação Alternativa e Ampliada - possibilidades de comunicação e de inclusão para crianças com deficiência: Uma atuação do Terapeuta Ocupacional”, sob a coordenação da professora e terapeuta ocupacional Mariane Sarmento, da Universidade Federal do Pará (UFPA), dedica-se à criação de várias formas de comunicação para pacientes com problemas comunicacionais.

O objetivo é construir recursos da comunicação alternativa e ampliada de baixos custos, possibilitando a inclusão social de crianças que foram impedidas de se comunicar por fatores neurológicos, físicos, emocionais e/ou cognitivos. O programa também está vinculado ao Projeto Pedagógico do curso de Terapia Ocupacional da UFPA.

O trabalho teve início em março de 2013, com a seleção e preparação de bolsistas e voluntários envolvidos no projeto. Após a seleção dos pacientes, chega o momento de explicar para o responsável pela criança, normalmente a mãe, a importância do programa e a sua relevância para o processo de comunicação da criança.

Durante o atendimento, as mães não saem do consultório. Os terapeutas aproveitam a oportunidade para reforçar as informações sobre a forma correta de utilização dos recursos da CAA. “Se a criança for estimulada no consultório, mas não reproduzir as atividades ao chagar em casa, não haverá progresso na comunicação”, diz Mariane Sarmento.

Avaliação garante atendimento individualizado

As crianças atendidas pelo Projeto são selecionadas por meio de parceria com o Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS). O perfil utilizado para a seleção é bem amplo, basta que a criança apresente alguma dificuldade de comunicação.

Após a seleção, os terapeutas realizam avaliação para identificar qual o melhor recurso a ser utilizado com cada um dos pacientes, pois muitos não tinham contato com os recursos da Comunicação Alternativa e Ampliada antes de entrar no Projeto. Cada recurso da CAA é pensado especificamente para cada criança e, ao final da sessão, o responsável leva o recurso para casa, onde continuará a estimular o paciente. “Muitas pessoas não conseguem se comunicar e nós viabilizamos isso com a produção de recursos a baixo custo. Esse é o intuito do projeto”, comenta Sally Carol da Silva, aluna de Graduação em Terapia Ocupacional e voluntária no projeto.

Segundo Carla Socorro Silva, mãe de uma paciente, o atendimento ajudou bastante o processo de comunicação de sua filha. Atualmente, a equipe é formada por uma coordenadora e oito alunos (um bolsista e sete voluntários), que atendem quatro crianças, duas vezes por semana.

Em um levantamento feito para ver o progresso das crianças durante o período em que estão sendo atendidas, foram constatados resultados positivos nas seguintes habilidades: identificação dos familiares e identificação das atividades diárias. “Nosso objetivo maior é este: fazer com que a criança saiba se expressar e saiba mostrar o que quer fazer”, revela a professora Mariane Sarmento.

Perfil

Em estudo que analisou a percepção e o nível de conhecimento de mães de crianças com deficiência e de profissionais que atuam diretamente com essas crianças acerca dos recursos da Comunicação Alternativa e Ampliada, verificou-se que 75% das mães entrevistadas desconheciam os recursos da CAA e 66,7% dos profissionais já utilizaram algum desses recursos.

comentários (4)
Contato com equipe do projeto CAA
escrito por Nádia, fevereiro 12, 2014
Favor enviar contato com equipe que coordenada esta pesquisa de CAA, telefone e outros para agendar atendimentos.
VOLUNTARIO DO PROJETO
escrito por MIQUEIAS PINTO, março 06, 2014
Gostaria de saber como faço para saber mais detalhes desse projeto, morro no Arquipélago do Marajó Cidade de Breves... estou interessado em saber como ser voluntário
Sobre atendimento
escrito por Equipe Beira do Rio, março 07, 2014
Caros Leitores,

As crianças atendidas pelo Projeto são selecionadas por meio de parceria com o Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS).

Att.
ATRASO COMPOTAMENTAL e ATRASO NA LEITURA e AUTISMO
escrito por SIMONE DOS SANTOS DIAS, abril 15, 2015
Sou servidora da UFPA e gostaria de saber se teria a possibilidade de obter atendimento de terapia ocupacional para dois filhos que têm aspectros de atraso comportamental e autismo leve.

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