Jornal da Universidade Federal do Pará. Ano XXX Nº 130. Abril e Maio de 2016

Opinião: Pedagogia em Breves: os sentidos de uma história de 20 anos

Carlos Élvio Neves Paes

por Carlos Élvio Neves Paes / Abril e Maio de 2016
foto Acervo Pessoal


No campus da Universidade Federal do Pará de Breves, existe um memorial cujas placas listam nomes de pioneiros dos cursos de História, turma de 1990, e de Pedagogia, turma de 1995. À parte o seu simbolismo, elas se impõem como documento histórico para a Universidade em Breves. Nomes e fatos são e serão sempre importantes para compreendermos e mantermos, no presente, uma dose de consciência hermenêutica necessária e prudente.

Afinal, sem reflexão sobre a história e com a história, a Universidade perde parte do seu sentido, construído em 25 anos de existência material. Assim, incito aqui a necessária reflexão com dois questionamentos: o que significam os 25 anos de existência material de uma instituição formadora? E o que representam 20 anos de oferta de formação universitária?

Se for correto dizer que devemos dimensionar a evolução de uma instituição como a Universidade — que é secular — não por anos — como em nossa existência —, mas por décadas, então 25 anos representam muito. Como formação, pode significar a possibilidade de o sujeito histórico se inserir no presente pela articulação deste com o passado. Pode representar a dissolução da consciência e da verdade; mas também — evocando o pensamento educacional de Adorno — pode significar a produção de uma consciência verdadeira, que levaria à formação de uma consciência emancipada. Pode produzir a negação e até a exclusão da história, assim como sua afirmação. Pode dissolver a busca pela verdade — razão de ser da Universidade — por um tipo de conhecimento dito racional, que subestime qualquer saber que não o acadêmico. Pode produzir o encontro do saber científico com o popular.

Enfim, pode abrigar mudanças consideráveis dentro da Universidade e fora dela. Contudo talvez não possa mudar a compreensão de que é a história — em sentido dialético — que possibilita exercer o pensamento crítico com a Ciência tampouco a compreensão de que é a universidade que oferece — nela e a partir dela — um espaço mais apropriado para tal exercício da crítica.

Alguém deve se perguntar aonde, afinal, quero chegar com esses questionamentos e essas respostas reflexivas que visam suscitar a consciência e instigar a alma, ou seja, aonde quero levar, pedagogicamente, o que penso. Com efeito, quero localizar, nos paradoxos e nas ambiguidades da instituição Universidade Federal do Pará, o guardião de sua identidade universitária em Breves: o curso de Pedagogia e sua trajetória de 20 anos de formação de formadores, de emancipação de consciências.

E agora o faço porque 25 anos são, no simbolismo dos ritos populares, o que se chama jubileu de prata: período que não se comemora a cada ano que entra, porque, mais que cronológico, é um marco histórico; porque não devemos esquecer a importância desse curso nem da Universidade na história educacional e institucional de Breves; porque, com colegas professores e professoras, ajudei a sedimentá-lo. Meu respeito e minha admiração ao legado de professores e professoras, alunos e alunas, funcionários e funcionárias que, no decorrer dessa história e ao longo do tempo de cada um, ajudaram a construir este curso em Breves.

Se a Pedagogia se ocupa da escola, então esta se relaciona com a família, com os meios de comunicação e com todas as outras instâncias ou agências educadoras — diriam Caruso e Dussel. Afinal, a Pedagogia prolonga-se, cada vez mais, no tempo: o que se inicia em nossa infância chega à vida adulta e acompanha-nos até que nossa consciência, nossa alma — nossas luzes, afinal — se apaguem.

Eis por que vejo muito a ser saudado e celebrado neste jubileu, que se encerrou com a entrada do novo ano. Se celebramos as pessoas, os fatos, os feitos e os desfeitos, então por que não celebrar o bem imaterial que é formar pedagogos e pedagogas? Celebremos, portanto, o curso de Pedagogia em Breves, de suas origens ao presente!  Celebremos os 25 anos do Campus do Marajó–Breves! Celebremos o futuro que a Universidade sempre representa! Viva!

*Carlos Élvio Neves Paes
é professor da Faculdade de Educação do Campus Universitário do Marajó-Breves.
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comentários (1)
Também faço parte desta história
escrito por Sônia Amaral, abril 07, 2016
Parabéns pelo contextualizado texto professor Carlos Elvio, também faço parte desta história e sei o quanto nosso povo agradece a UPFA por ter proporcionado o crescimento educacional de nossos municípios do Marajó e de outras regiões que se beneficiaram com a chegada do Campus do Marajó - Breves, em especial do Curso de Pedagogia que anualmente entrega a sociedade dezenas de pedagogos qualificados para fortalecer o quadro de professores, gestores e coordenadores pedagógicos.
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